• Loudersound: Track by Track de Vicious por Joe Hottinger

    Em entrevista ao site Loudersound (Classic Rock), o guitarrista Joe Hottinger revelou alguns detalhes por trás das músicas que compõem o novo álbum 'Vicious', recém lançado na última sexta-feira (27). 

    Confira as inspirações de cada música abaixo:
    "No final, foi como quando começamos a banda", diz o guitarrista do Halestorm, Joe Hottinger. "Como se estivéssemos de volta à Pensilvânia, tocando em bares, quando escrevemos músicas que sabíamos que seria legal ao vivo. Nós não fazíamos isso há anos. Nós recuperamos o nosso mojo. É um renascimento. É um Halestorm sem arrependimento." Hottinger está claramente animado com o novo álbum da banda, Vicious. Se o último álbum, Into The Wild Life, foi elogiado e condenado em igual medida por desviar-se para um som mais pop, o Vicious faz o que diz na lata: é corajoso, sexy, bombástico e cheio de fogo e imoderado
    "Nós nos aproximamos deste álbum sem saber o que estávamos fazendo", diz Hottinger. "No final de Into The Wild Life nós escrevemos 10 ou 12 músicas, e elas eram boas, mas nós não estávamos empolgadas com elas. Nós mostramos para o nosso produtor Nick [Raskulinecz] e ele nos disse, 'isso não é o álbum que queremos fazer do Halestorm!' e nós ficamos tipo 'Graças a Deus!'. Nós concordamos totalmente.
    "Então, sabíamos o que não queríamos fazer, o que é muito importante na hora de criar as coisas. Sabíamos que queríamos nos desafiar, queríamos desafiar o ouvinte e mudar o gênero. Isso soa um tanto sublime e pretensioso, mas queríamos aumentar um pouco a arte. Esse era o objetivo".

    Black Vultures
    "Que introdução matadora, né? Isso configura o álbum lindamente. Você ouve Lzzy arrancando as cabeças com sua voz. É incrível que ela seja capaz de fazer isso! Lzzy escreveu com Brian Vodinm da banda 10 Years.
    Estávamos dirigindo ao estúdio imaginando sobre o que iríamos escrever, passamos por um bando de abutres mastigando algo. Pensamos: 'Abutres Negros! (tradução de Black Vultures) Esse é um bom título!'. Algo está prestes a morrer, ou eles acham que algo está para morrer, e de nossa perspectiva, estávamos pensando: 'Não estamos mortos, filhos da pu**!'"

    Skulls
    "Eu gravo riffs no meu celular. É o marco zero para todas as minhas guitarras! Eu sempre nomeio alguma coisa para que eu possa descobrir o que é o que, e eu estava na minha casa no andar de cima com um monte de coisas de rock, deitado e pensei: 'Crânios! Isso vai servir!'
    Lzzy achou o riff incrível e começou a escrever melodias e letras. Gostamos do título, mas como você escreve uma música chamada Skulls que não é muito brega? Acabamos com frases sobre não ser apenas mais uma caveira vazia e não sendo um manequim.
    Há muitas coisas estranhas acontecendo no mundo hoje e não é uma música política. Nós realmente não falamos muito de política porque é tão divisivo, eu não quero fazer parte dessa divisão. Essa divisão é o inimigo, essa é a ideia da música: não seja divisivo. Eu não me importo em qual país em que você vive, há uma ameaça do mal acontecendo, e está tentando atrapalhar a paz e o modo de vida que todos atualmente têm".

    Uncomfortable
    "Isso veio de nossas primeiras sessões de escrita. O riff foi na verdade uma espécie de piada, mas Nick estava tipo 'Esse riff é legal!' e eu fiquei tipo "É isso?' e ele estava certo.
    Lzzy escreveu a melodia e a letra um mês ou dois depois... Todo o vocal sobre a palavra 'desconfortável' é tão legal e tão diferente. Poucas pessoas conseguem daquela forma.
    Estou muito feliz por ter sido o primeiro single, porque é parte de toda essa ideia de desafiar as coisas. Você pensa em Halestorm e vem na cabeça essas músicas amigáveis que as pessoas gostam de cantar ao ouvir rádio. É uma boa introdução ao álbum."

    Buzz
    "Nós estávamos sentados em uma praia na Austrália depois da turnê australiana. É a única vez em que estivemos em férias. Foi uma viagem sem instrumentos. Ninguém conseguiu nos segurar, então acabamos fazendo o que fazemos, bebendo e escrevendo músicas, cantando em nossos telefones e discutindo ideias.
    Essa música foi trabalhada durante alguns anos, por assim dizer, o loop de bateria montou o resto, e fomos capazes de divulgá-lo dentro de um dia ou dois. Lzzy terminou as letras e fez um ótimo trabalho.

    Do Not Disturb
    "Eu amo essa música. É uma reviravolta com certeza. Lzzy passou por essa fase há alguns anos sentada no teclado e escrevendo essas musicas engraçadas, eram como o electro pop dos anos 90. Eu acho que ela estava ouvindo Ray Of Light da Madonna o tempo todo. Ela entrou totalmente nisso. As músicas que ela escreveu eram todas bregas e pop, com todos esses sons de teclado loucos. Não é o que você esperaria ouvir de Lzzy!
    Elas não foram feitas para serem músicas do Halestorm, mas nós amamos Do Not Disturb e queríamos fazer isso em uma música rock. Nós tentamos e falhamos algumas vezes, mas nós apresentamos ao Nick e ele achou que poderia ser muito boa. Nós começamos a falar sobre isso e as ideias trouxeram nesse ritmo lento. Não há palavrões, mas a música é tão suja, cara. Deve haver uma classificação nessa música. É uma viagem. Ela faz os olhos das pessoas se abrirem largamente e se você puder fazer isso com música, você está fazendo a coisa certa".

    Conflicted
    "Estamos um pouco conflituosos sobre a música. Foi uma música que o cara da A&R nos trouxe. Foi escrito pela metade e ele pensou que poderíamos finalizar. E tentamos qualquer coisa - qual é o pior que poderia acontecer?
    A música foi uma batalha para nós. Fizemos nove ou dez versões diferentes e fizemos uma grande versão de rock que era a minha favorita, mas não foi essa que acabou no álbum. E tudo bem!
    Eu ainda gosto do que fizemos, é uma sensação tão diferente, especialmente do jeito que o álbum é sequenciado. É uma versão suave e minimalista da música, eu acho que a Lzzy terminou lindamente. É meio agradável e meio divertida, então fod*-se!

    Heart Of Novocaine
    "Isso foi divertido. Foi uma maneira totalmente diferente de abordar uma música para nós. Lzzy chegou em casa uma noite com a música no piano e terminou em uma ou duas horas. Nós a trouxemos para o estúdio no dia seguinte, geralmente temos uma música de piano no álbum, e Nick ficou tipo 'De jeito nenhum, cara! Vamos fazer isso acústico!'
    Então, eu peguei um violão e acabei construindo lá no estúdio. Eu comprei um velho sintetizador Moog Model D, então está lá também, depois de um dia ou dois a música foi concluída. Foi uma maneira divertida de escrever uma música e funcionou muito bem".

    Painkiller
    "Nós fizemos essa música com Scott Stevens [compositor que escreveu oito músicas no Into The Wild Life]. Ele veio até nós com a ideia, tinha um pouco de verso e um pouco de refrão, nós adicionamos o restante e finalizamos. Foi bem direto, ao contrário do modo como abordamos a maioria das outras músicas do álbum. É um riff direto. Adoro a energia disso!"

    White Dress
    "Estou feliz por White Dress e Vicious estarem lado a lado no álbum. É um título que Lzzy teve por um tempo. Ela estava trabalhando nesse conceito de não ser uma princesa de conto de fadas: desculpe desapontá-lo se estou sendo eu mesmo, mas não posso ser mais ninguém.
    Eu tinha uma nova guitarra. Eu fui para o Imperial Vintage em Los Angeles. Eles são os únicos negociantes nos EUA para guitarras do Manson [feitos pelo luthier britânico Hugh Manson]. Eu vi Matt Bellamy do Muse tocar uma, mas eu nunca tinha tocada e eu fiquei totalmente obsessivo por essa guitarra. Tem um Fuzz Factory [fuzz box] no fundo e um Sustainiac [pickup], eu estava tipo 'Puta merda!' Eu tenho que comprar'.
    Eu escrevi dez músicas nesta guitarra e esta é a primeira música em que foi usada. É uma ótima música, tem uma mensagem legal de Lzzy e eu tenho que usar minha Manson. Então, eu estou animado!"

    Vicious
    "Esta foi provavelmente a última música que escrevemos para o álbum. Quando Lzzy gosta de um título, ela apenas começa a escrever. Ela acabou criando toda a música. Ela nem sequer teve uma melodia, apenas páginas de letras e ideias. Ela escreveu com Kevin e Kane Churko (pai e filho produtores) em Vegas, durante a última sessão de gravação do álbum.
    Nós íamos chamar o álbum de algo totalmente diferente, mas quando saímos com esse título, sabíamos que era assim que o álbum deveria ser chamado.
    Eu tinha o riff já escrito no meu Manson e nós apenas juntamos tudo. Lzzy parece incrível e o grito no final é matador. É cruel, cara"

    The Silence
    "Nós íamos fazer um álbum de 11 músicas e terminá-lo com Vicious, mas parecia incompleto. Então, decidimos terminar com The Silence e eu estou tão feliz por termos feito isso. Nós tínhamos a música e a melodia por cerca de cinco anos, sempre soubemos que precisava de uma letra especial.
    Toda vez que tentamos, não estava certo, mas no meio desse processo de escrita eu fiz uma nova demo e Lzzy colocou um ponto focal. O vocal que você ouve é na verdade a partir da demo, da noite em que ela escreveu e ela arrebentou.
    Ela é tão doce como um ser humano, com um amor tão puro. Ser capaz de escrever algo usando suas próprias memórias pessoais misturadas com essa grande ideia de amor que supera as pirâmides é lindo. Estou muito feliz por ter feito este álbum"
    Por keevb - terça-feira, julho 31, 2018