Lzzy Hale fala sobre novo álbum, companheirismo, machismo na indústria musical e mais

Foto por Stephansdotter Photography (writer) / http://rocksverige.se/
Durante a passagem da banda pelo Sweden Rock Festival, Lzzy Hale conversou com o site sueco Rocksverige para falar sobre os temas como: gratidão e companheirismo entre membros da banda, novo álbum, machismo na indústria musical e mais.

Confira a tradução na íntegra:
O que você diria sobre ter sido o ponto alto em sua carreira até agora?
Eu acho que o ponto mais alto é o companheirismo que temos uns com os outros. Eu estou tentando não ser extravagante ou algo parecido, mas eu literalmente tenho os melhores companheiros de banda e a melhor equipe que eu poderia pedir. Tem sido como uma espécie de passeio emocional durante os últimos meses. Nós rimos até chorar e tivemos variados marcos durante a carreira, mas acho que além do Grammy, dos discos de ouro e tudo, tem sido apenas sobre ter certeza de que nós não iremos matar uns aos outros (risos). Tem sido realmente um sucesso.

Você parece que sempre está se divertindo, mas houve algum ponto baixo até agora?
Sim, há pontos baixos, é claro que existem. Quando você está em uma banda, desde que temos sido uma banda, há estes mergulhos. Quando alguém não está carregando o seu próprio peso ou algo precisa ser feito. Alguém já teve esse momento e novamente, em um jeito positivo, nós sempre passamos por isso quando é preciso. Nós confiamos uns aos outros e nos amamos e queremos fazer a melhor coisa para a banda e para todos, por isso, acabamos fazendo isso a todo o custo. Ao mesmo tempo, é como depender de um apoio... você pode dizer uma série de coisas.

É uma carreira agora, então dependendo de quando o próximo álbum sair ou se teremos outro single, com o interesse da gravadora, a gestão... todas essas coisas entram em jogo, mas o principal é que, se continuarmos fazendo o que amamos e termos certeza de que é incrível para nós, iremos trabalhar com isso para o resto de nossas vidas. É a mesma mentalidade de nós contra o mundo, mas é claro que passamos por tudo juntos.

Já aconteceu de você acordar e perceber o quão sortuda você é? E que você é capaz de viver fazendo o que você mais ama?
Claro. Este ano em particular. Nós estávamos dizendo que este ano, mais do que nunca, estamos vivendo um sonho, literalmente por viajar 260 dias por ano e (a) como eu disse antes, não nos matamos uns aos outros ainda e (b) estamos atualmente ganhando dinheiro fazendo isso que amamos e viajando pelo mundo, tendo um ótimo tempo fazendo este show de rock e tudo isso que nós sempre quisemos fazer. Eu posso literalmente dizer que estamos vivendo um sonho.

Há algum lugar que você tenha ido e se sentiu meio surreal? Algum país que você sempre quis viajar, algum lugar que você sempre quis conhecer?
Nós tocamos na Austrália no último ano e foi muito surreal. Cada vez que vamos para o Japão. É como 'Por que eles ainda nos querem aqui?' e então você chega lá e fica como 'Oh meu Deus, isso é muito louco! Claro que eles nos querem aqui'. Eu não sei, cada vez que nós viajamos para um país diferente é 'Jesus, você pode acreditar que estamos fazendo isso?', porque nós ainda estamos... Eu não cresci muito, então eu sempre terei 17 anos em minha cabeça e ainda estarei tocando em locais da Pensilvânia, de fato, nós temos que ir lá. Eu fico 'Gente!' e bato neles com tanta força que pode até esmagá-los, é como 'Hey, vocês conseguem acreditar que estamos fazendo isso?', é muito legal.

Você recentemente fez uma turnê com a Lita Ford. Como que foi essa experiência?
Foi muito legal, porque ela literalmente foi com tudo. Quando ela começou não havia nenhum livro de regras, não havia nenhum modelo e não houve 'Hey, essa banda veio antes de nós e sabemos o que podemos fazer para funcionar'. Eles apenas foram lá, sob circunstâncias extremas, porque eles eram jovens e comercializados como jailbait. É apenas um feito incrível ter tocado com ela e não foram muitas pessoas que passaram por isso, então já tocamos com Lita Forda e Joan Jett. É agradável ver as noites saímos em turnê com ela, em outubro iremos continuar novamente a turnê. Será incrível e eu tenho muita admiração por ela. Ela é literalmente uma mulher do rock. Ela levanta todas as noites em suas calças de couro vermelho, de um lado para o outro e arrebenta com a audiência. Eu me virei uma vez para o Arejay e disse 'Eu tenho 32, você tem 29 e ela tem 57. Qual a nossa desculpa?', nós nunca podemos dizer 'Ah, eu estou cansado, ah eu não posso fazer isso'. É muito legal.

Ela se tornou famosa em um horário diferente. As coisas mudaram, mas ainda é um mundo estranho em que vivemos. Há um monte de sexismos e você provavelmente já foi perguntada sobre isso mil vezes, mas você já passou por algo assim, em que os homens olham para você de forma diferente porque você é uma mulher nesse negócio que é muito voltado aos homens?
Eu não sou cega, mas coloco as vendas na maioria das vezes porque realmente a única pessoa que pode me julgar, são meus companheiros de bandas e eu, porque se eu sentir que estou fazendo um bom trabalho, foda-se os outros. Se eu não sentir que estou fazendo um bom trabalho, isso é comigo. Mas, claro, tenho passado por várias experiências desse tipo... uma vez, antes de termos um técnico de guitarra, eu estava trocando as cordas da minha guitarra e um cara veio até mim e disse "Minha namorada nunca fez isso para mim". Uma outra vez, eu ouvi "Você canta muito bem para uma garota, mas você não foi muito clara, em sua convicção". E minha resposta foi "Bem, existe o Aerosmith e existe o Dio, e existem todos aqueles que literalmente, gritam o tempo todo. Eu faço a mesma coisa, eu não sou Celine Dion. Eu não sou essa pessoa, então não estou tentando ser assim, mas eu acho que existe um equívoco na tradição em que as mulheres fazem parte do sexo frágil, que devem ser mais perfeitas que os homens, mas a verdade é que nós não somos perfeitas. Na verdade, somos provavelmente imperfeitas. De qualquer forma, você tem que aceitar o fato de que todos somos idiotas e e existem algo para fazermos o que fazemos. É o Rock'n'Roll. Por isso, você está ultrapassando seus limites naquilo que você faz, chegando ao ponto de fazer tudo errado. Eu não sei. Meu ponto é que na maioria das vezes, eu realmente quero ser boa o suficiente para mim e minha banda, e todos os outros...vocês podem fazer o que quiserem.

Recentemente, nós perdemos algumas lendas da música. O último foi Prince. Você foi influenciada de alguma maneira por ele? Você ouviu algum artista/banda enquanto crescia?
Eu fui influenciada pelo Prince, nos anos 70 e 80 pelas músicas de rock e do metal, e eu estava escutando ele. Com o Prince eu fui influenciada pela sua abordagem infantil de abandonar o palco, porque ele não se importava. Se você olhar para a linha do tempo de Prince, nos primeiros dias ele estava com pouca roupa e em uma época onde isso era tabu. Não era o momento da Lady Gaga, crianças. Isso foi antes que todo mundo estava chateado com isso. Havia também o carisma e abordagem para o show. Ele teve momentos que ninguém mais faria e ninguém poderia retirar, exceto por ele. Ele se levantou e por assim deixou sua marca. Eu olho os vídeos e penso 'Eu não sei se faria isso!'. Eu ainda toco com saltos altos, mas eu nunca poderia fazer o giro que ele faz. Ele girava em saltos altos e isso é um homem entre os homens que nunca será substituído.

Você conheceu o Lemmy?
Não. Nós o vimos em Rainbow, Los Angeles. Ele estava jogando em um bar. Eu e meu guitarrista, Joe, estávamos comendo uma pizza e disse 'Eu vi o Lemmy. Meu Deus! Devemos nos levantar e dizer Olá?' então nós dissemos 'Tudo o que irá acontecer é que iremos nos apresentar e ele nunca ouviu falar de nós, eu tenho certeza, e ele apenas irá voltar para o jogo'. Nós basicamente tomamos alguns uísques em honra à ele. Foi assustador para nós, mas pareceu que ele estava tendo um bom tempo. Eu lamento por não ter ido realmente dizer 'Olá', mas eu continuo sendo influenciada por ele até hoje.

Eu estava tão fascinada pela sua personalidade e ele era brutalmente honesto. Você tem que ser assim como pessoa.
Com o passar dos anos você se importa menos, então eu senti que talvez na idade dele, ele estava 'Foda-se! Eu não me importo mais', mas eu sinto que é preciso uma certa personalidade para realmente se sentir como você mesmo. Apenas seja você, ame a si mesmo e foda-se os outros. É incrível ver e é admirável, e esse é o porque ele foi um rockstar, porque isso é o que o rock and roll precisa agora. Você não quer ser um homem que apenas diz 'sim', você tem que dizer o 'não' todas ás vezes e ser 'Você disse sim para mim, filho da mãe!'

Na última vez que conversamos, você disse que estava trabalhando em ideais para o próximo álbum e você disse que estava trabalhando com todos os tipos de coisas estranhas?
Todos os tipos de coisas estranhas. Você não tem ideia das músicas estranhas que eu estive escrevendo, sobre o assunto e musicalmente. Musicalmente tem sido uma longa jornada desde o começo, então nós meio que estamos voltando as raízes. Nós estamos fazendo um novo álbum neste momento. É como um caminho sem saída, mas liricamente, está sendo um pouco estranho e é minha culpa. Você mostra muitas coisas sobre a sua vida e você não quer repetir e após dois álbuns você fica como 'Ok, eu vou mostrar um pouco mais sobre isso' e 'Eu vou um pouco mais a fundo', então eu sinto que esse próximo álbum será sobre ambas extremidades, onde você irá ver os costumes que tem me abraçado durante os últimos dois anos, e, em seguida você irá ver o lado vulnerável sobre mim, então é o que eu posso dizer como garantia neste momento. Ao mesmo tempo tem sido muito divertido e você não tem ideia do que vai ser, então esteja avisada! (risadas), eu acho que pela primeira vez, eu nunca disse isso.