Lzzy Hale fala sobre turnê na Austrália e o álbum Into The Wild Life


O site Musicfeeds, da Austrália, fez uma entrevista exclusiva por telefone com a vocalista Lzzy Hale. Ela conta sobre ser uma mulher "barulhenta" e "assutadora" em uma indústria em que as mulheres tendem a serem sonhadoras e reservadas, sobre o álbum Into The Wild Life, gravar com Stone Sour e sobre o que a banda tem planejado para a turnê na Austrália.

Confira a matéria completa: 
Music Feeds: Hey Lzzy, tão emocionante – vocês finalmente virão nos visitar aqui na Austrália. Primeiramente, por que vocês demoraram tanto?
Lzzy Hale: Eu sei! Eu concordo na verdade porque eu estive incomodando todo mundo aqui por tanto tempo pra nos deixarmos ir aí, e sempre pareceu que estava prestes a acontecer, e então ficávamos todos emocionados, e então - "Não, não podemos fazer isso ainda!" E então nós íamos para o Soundwave mas nunca dava certo. [Ou] tinha alguma outra coisa para fazermos, ou nós estávamos, tipo, gravando um álbum ou algo assim.
E agora, finalmente as datas estão marcadas, nós não podemos cair fora de jeito nenhum, nós vamos! (risos). Então está finalmente acontecendo. E eu nunca visitei a Austrália, então será minha primeira experiência com tudo por aí, então estou muito ansiosa.
MF: Alguém já lhe deu uns avisos sobre o que esperar?
LH: Muitos de meus amigos - tipo todos do Avenged Sevenfold - amam aí, e M. Shadows estava me dizendo, "Olha, os fãs de rock são incríveis, você vai amar, mas provavelmente vai ficar cansada." (risos) "Por causa do maldito jet lag!"
E eu fiquei tipo "oh cara, eu já tive jet lag antes".
Eu acho que você tem que mergulhar, e deixar a emoção te levar, sabe? Eu acho que vamos ficar bem.
MF: Tem algo que você particularmente ansiosa para ver?
LH: Eu acho... que conhecer várias pessoas diferentes. As pessoas são sempre incriveis, é por isso que eu gosto tanto de viajar porque - mesmo nos EUA, de estado em estado - todo mundo tem sua própria cultura, e jeito de fazer coisas, e falar, e a cerveja que eles podem beber. Então eu estou ansiosa só de conhecer e falar com as pessoas.
E também há algumas cervejas que eu vou ter que experimentar porque você sabe, ciência. Tem de ser feito. Isso, e eu adoro experimentar comidas novas e tudo então eu vou tentar comer coisas que nunca comi antes, vai ser divertido.
Óbvio que eu ouvi algumas coisas de meus amigos músicos. Mas muitos de meus amigos músicos não são necessariamente tão aventureiros - (imita voz) "Oh, então eu vi o hotel" - Isso não me ajuda! Então eu vou tentar explorar bastante.
MF: Então o que vocês tem planejado para seus primeiros show para fazer história na Austrália?
LH: Meu deus, você está em uma posição muito boa para estar experienciando pela primeira vez porque nós temos três álbuns em nossa coleção e alguns EPs e eu acho que nós vamos acabar jogando tudo, sabe, tudo na pia da cozinha.
E ninguém experienciou meu irmãozinho [Arejay Hale] ainda. Literalmente, ele faz um solo de bateria caminhando... Ele é simplesmente lendário. Você tem que vê-lo e experienciá-lo para entender. Então isso vai ser divertido, Nós vamos nos divertir muito juntos - é um show de rock!
MF: E claro vocês lançaram seu terceiro álbum de estúdio, Into The Wild Life no início do ano... Eu ouvi que vocês tiveram uma abordagem mais única com este?
LH: Sim, tivemos. Nós - por falta de uma resposta inteligente - meio que dissemos "foda-se" (risos" e jogamos fora tudo que nos deixou confortável em fazer os dois primeiros álbuns. O processo... novo produtor, nova cidade, novo estúdio, nova mentalidade.
Eu acho que uma coisa que separa esse álbum de tudo que fizemos é a maneira que gravamos. O que nós acabamos fazendo, foi um esforço para juntar o que nos separava do que as pessoas nos viam ao vivo das que nos ouviam no rádio - sem fazer um álbum ao vivo - Então gravamos todas as músicas no estúdio, de uma vez só.
Nós literalmente tocamos ao vivo em um círculo - um olhando pro outro, zoando um com o outro - E tocamos as músicas enquanto éramos gravados do inicio ao fim. Esse elemento humano, e fazendo esses tipos de 'erros alegres' que só acontecem quando estamos tocando juntos, quando não estamos tentando pensar muito em acertar nossas partes (risos).
E é engraçado porque - com cada música - as vezes levava 30 tomadas, outras levavam duas. Mas o negócio é que - porque nós gravamos o álbum todo junto e todos os microfones estavam ligados - Se um de nós errava, nós tínhamos que gravar toda a música de novo (risos).
Foi incrível, foi uma ótima maneira de fazer porque nós terminamos - como eu disse - tendo vários 'erros alegres' onde, você sabe, quando eu ouço alguma música em que isso aconteceu, eu posso ouvir a hesitação do tipo 'eu não sei onde estamos indo gente', que é tipo o que fazemos toda noite! Então foi ótimo.
Eu não achei que nós quatro podíamos ficar mais próximos como amigos com essa experiência [mas] nós definitivamente reacendemos essa linguagem musical e esse amor de tocarmos juntos novamente, então foi muito uma experiência muito boa.
MF: E por favor me diga que você guardou os erros de gravação da sessão?
LH: Oh com certeza, muitos são a composição do disco! (risos)
MF: Ah hey eu ouvi que você está de convidada em um dos novos EPs do Stone Sour?
LH: Correto. Eles tem sido bons amigos nossos por anos e nós os amamos como irmãos. Eu acho que foi o Corey [Taylor] e o Josh [Rand] - eles me disseram algo quando nos conhecemos e fizemos tour com eles - "Você é tipo nossa irmãzinha, mas do rock n' roll" e eu fiquei "aw, isso é incrível!' porque eu me sinto assim quando estou com eles.
Então foi como uma extravagância, eles estão fazendo esse EP - só de covers - e chegando perto dos originais e tudo. Eles estão dedicando muito tempo, eu estou muito orgulhosa deles porque está incrível. E eles disseram tipo, "Hey, estamos fazendo Gimme Shelter dos Rolling Stones, você quer fazer a parte da garota?" e eu fiquei tipo "Você está brincando? Isso é incrível!"
Eu sempre quis cantar aquela parte. É um desses clássicos monumentais do rock. Então é, eu fui lá e fiz, e graças a deus todos gostaram e fui uma experiência muito divertida. Então mal posso esperar para todos ouvirem.
MF: E nós vimos sua performance de [Temple Of The Dog] Hunger Strike com o Corey no APMA em que foi incrível!
LH: Oh muito obrigado. Cara, é sempre um prazer imenso cantar com o Corey, eu considero ele uma das maiores vozes de nossa geração e é sempre um prazer porque eu sempre sei que ele vai arrasar. Ele não vai arrasar a música, ele vai arrasar na música (risos) ele me deixa alerta.
MF: Então Lzzy, outra coisa que queriamos te perguntar é como é ir contra a corrente num tempo em que a norma para a maioria das vocalistas femininas é de ter uma voz delicada, sonhadora, quase desamaparada? Você sente que a indústria tem medo de vocalistas femininas fortes e poderosas?
LH: é definitivamente uma raridade. Quando eu estava chegando em cena no meu estado natal da Pensilvania nos EUA, haviam dois tipos de garotas. Você sabe, haviam garotas que queriam estar em uma banda de rock mas - de novo - tinham essa voz desamparada, e então haviam as garotas que queriam ser a Jewel.
Mas meu foco como adolescente era sempre me destacar. Eu nunca seguia as modas, e isso era quase uma obsessão - e você sabe, meus pais irão lhe dizer, existe uma linha tênue entre determinação e obsessão, e eu não sei em qual eu fui parar.
Mas é, eu acho que é um pouco assustador porque garotas se aproximam da música pesada diferente dos garotos, porque nós fazemos isso por maneiras diferentes. Nós não estamos fazendo isso para pegar as garotas ou os carros rápidos ou qualquer outro estereótipo dos rockstars homens, nós estamos fazendo isso por um propósito maior, eu sinto que, pessoalmente, esse tipo de música sempre foi minha forma de rebelião e minha forma de terapia, tipo, é assim que eu penso sobre as coisas, sabe? é assim que eu descubro minhas coisas, através disso. E isso faz dela pessoal.
Nós temos que ir contra a corrente muito mais como mulheres, especialmente mulheres da minha geração - e obviamente de nossos pais - não foram necessariamente criadas e ensinadas para "Oh, não, você deveria totalmente entrar nessa indústria imprevisível, cheia de drogas e DSTs!" Tem vários problemas e não há garantia, apenas riscos.
E todo mundo encoraja os garotos para sofrer riscos. Mas para nós sofrermos risos, leva um fogo interno que é assustador para as pessoas, é difícil para as pessoas aceitarem porque, de novo, é quase como se você se tornasse esse incômodo (risos) sabe? Porque você tem que ser mais alta que todos e tem que trabalhar o dobro, é assim que tem ser. Para fazer o que nós amamos e ir atrás de algo quando há um livro de regras
Então é, ainda há isso para temer, combinado com as pessoas ao seu redor dizendo "Quer saber? Talvez você devesse tentar a voz desamparada e jogar pelas regras e seguir o rádio [porque] é mais garantido”.
Eu não sei, eu fiz como uma missão de vida encorajar todas as garotas que eu conheço para irem pelo mais assustado... (risos) vamos apostar tudo aqui, sabe? Se você vai fazer isso, vá com tudo.
MF: É isso aí. Há algo que você quer adicionar antes de nós te liberarmos:?
LH: Por último mas não menos importante, muito obrigado por nos deixarem ir. Essa é a primeira vez para mim e é uma das coisas que eu sonhei desde que era criança - ir para a Austrália.
Porque todos vocês - comprando os CDs e as camisetas - nos fazem capazes de fazer isso. Aa razão para nós estarmos aqui são vocês, então obrigado.