Halestorm na nova edição da Metal Hammer

O Halestorm está presente na mais nova edição da revista Metal Hammer, e a vocalista Lzzy Hale cedeu uma entrevista onde ela fala sobre a história do Halestorm, suas influências musícais, e como a banda tem sido integrada a "comunidade do metal." A revista já está a venda nas bancas, e pode também ser adquirida por todo o mundo pelo site oficial.

Confira a matéria disponibilizada no site:
Em 1998, se você estivesse limpando as pistas de boliche e cafés, shows de talentos ou sorveterias da Pensilvânia, você provavelmente teria esbarrado em uma menina de 13 anos idade, com uma voz surpreendentemente poderosa, venerando seu maior ídolo Ronnie James Dio, enquanto seu irmão de 10 anos girava atrás dela, enquanto tocava em uma bateria feita pelo seu pai.

Se você tivesse muita sorte, você não teria tido suas sobrancelhas chamuscados pelos flashbombs caseiros deles também. Se alguma vez houve qualquer dúvida de que a dupla dinâmica, a cantora Lzzy Hale e o seu irmão, Arejay, foram feitos para seguir seus ídolos do metal rumo ao estrelato, essa não era uma questão que estavam em suas cabeças. Mas agora, 17 anos depois, sua época de "BabyCrüe" finalmente valeu a pena, quando Halestorm ultrapassou a linha entre o rock clássico e o heavy metal, para uma banda vencedora do Grammy, conquistando o mundo todo.

"É o sonho de toda irmã mais velha, ter um dispositivo de tortura para o seu irmão mais novo" diz Lzzy Hale.

Tudo isso explica um pouco do porque o Halestorm ter sido completamente abraçado pela comunidade do metal.  Musicalmente, a banda é simples e acessível o suficiente para invadir as paradas, para atrair novos fãs que estão molhando seus pés no rock pela primeira vez, mas também por possuir uma das melhores vozes que você possa ouvir em qualquer lugar da música, Lzzy também tem uma coração que é puro metal.

Rob Halford tem sido um apoio no vocal, e o Avenged Sevenfold são amigos. Eles se apresentaram no tributo à  Ronnie James Dio no ano passado, e Lzzy fez uma colaboração com David Draiman no cover de Ozzy Osbourne e Lita Ford, "Close My Eyes Forever", Não se admira que ela diz, "Às vezes eu me sinto como uma irmã mais nova na comunidade do metal." Lzzy Hale, para ser sincero, está vivendo o sonho de toda fangirl.

A obsessão já começou cedo. Criada por pais que tinham uma coleção de CDs de dar inveja, Lzzy e Arejay cresceram em uma dieta de Black Sabbath e Deep Purple, Judas Priest e Mötley Crüe, Heart e Alice Cooper.

"Tenho certeza que 'Panama' do Van Halen foi a música dos meus pais, se você precisa de uma indicação pra saber que tipo de pai eles foram" disse Lzzy. Havia instrumentos musicais na casa da família, e Lzzy admite que ela costumava ficar na frente do espelho, fingindo ser Tom Kieffer, a estrela do metal da banda Cinderella, quando ela era pequena - alguém que ela considera como amigo agora, na sua cidade natal adotada, Nashville.

"Ele tinha uma voz rouca incrível. Ele era um guitarrista incrível, ele foi a razão pela qual eu comecei a usar Les Paul", ela revela. "Me lembro de querer usar o meu cabelo da mesma forma que ele, tentando copiar seus movimentos de palco - isso vai soar assustador - eu colocava o CD, e ficava cantando em frente ao espelho, eu tentava dublar sua voz e ter a mesma intensidade que ele tinha nos vídeos."
Lzzy Hale, a Lita Ford da nova Geração
"Meus pais sempre disseram: 'Você sempre terá tempo para começar um trabalho de verdade" Lzzy lembra, "O quão longe nossas influências foram, tivemos muita sorte de ter pais que tiveram este tipo de infância, Foi muito legal."

Tão breve, a dupla começou a descobrir a música fora da coleção dos seus parentes, como o álbum 'Home', de Sevendust, e 'The Sickness' do Disturbed ("Eu amo a voz do David Draiman, e era tão novo e fora do rock clássico, e foi o que talvez tenha nos puxado em uma direção diferente") e 'Lateralus', do Tool. Na verdade, tal era o amor de Lzzy por este último álbum, que um possível romance foi sabotado pela sua lealdade a Maynard James Keenan e companhia.

"Tool foi o primeiro show que eu comprei ingressos", diz ela. "Tecnicamente, meu pai diz que eu fui para Cheap Trick com ele quando eu tinha três anos, mas eu não me lembro disso, então não conta. Fui com um cara, amigo meu, então eu acho que foi mais ou menos um encontro. Ele acabou caindo no sono. Eu não sei como você pode dormir em um show do Tool, mas resumindo, nós não namoramos depois disso."

Enquanto Lzzy cita nomes como Joan Jett, Ann Wilson do Heart, e Lita Ford como inspiração, a maioria de suas influências vêm de cantores masculinos. Seus discos para levar a uma ilha deserta são 'Mob Rules' do Black Sabbath, 'Holy Diver' do Dio, 'Love it To Death' do Alice Cooper, e "British Steel' do Judas Priest. "Eu não poderia fazer isso sem eles. Se é um cenário de ilha deserta, eles estão vindo comigo! Eu não me importo sobre a comida nesse momento, apenas me deixe ter a minha música!"

"Quando eu estava entrando na cena, havia dois tipos de garotas" diz Lzzy. "Tinha aquelas que queriam ser a cantora-compositora, e as que era mais do metal, mais gritantes. Então acho que fiquei entre essas duas um pouco. Eu queria ser forte e ser poderosa, mas eu não tinha nenhum problema em ser uma menina."

As coisas mudaram muito nas últimas décadas, porém, o Halestorm é a prova de que a maneira mais rápida de ganhar respeito é manter-se fiel a si mesmo. O Metal sempre esteve lá, na personalidade da banda - em seus riffs, em sua atitude, em seu conhecimento sobre música. Mas quanto ao que eles pensam, sobre onde eles estão no vasto campo do metal, depende dos olhos de quem vê.

"Essa é a coisa mais surpreendente sobre o metal: há tanta diversidade, mas tem aquela coisa "core", aquele batimento que nos faz continuar, e isso é a natureza rebelde, e nesta comunidade você tem permissão para ser você mesmo, não importa de que lado você está", acredita Lzzy.

"Não existem regras, e essa é a beleza da coisa. Nós temos um público tão diferente e diverso que vem aos nossos shows, Vai ter aqueles caras dos anos 80 que pensa que estamos trazendo o metal de volta, e então você vai ter os jovens. Eu conheci uma garota no outro dia, ela estava tão linda. Ela tinha 11 anos e ela disse: 'Você é como o lado rosa do rock and roll", porque era assim que ela relacionava isso, Assim, o mesmo cara que acha que eu sou uma nova Lita Ford, pode não ter a mesma opinião que uma criança de 11 anos, mas todos eles vem para o mesmo show."

É esse público misto que coloca Halestorm em uma posição privilegiada. Eles tem a oportunidade de cultivar, e incentivar a próxima geração de estrelas do rock, para se levantar e cantar com suas almas!

O seu novo álbum, 'Into The Wild Life', foi gravado ao vivo, em uma igreja reformada, com a banda tendo contato olho a olho uns com os outros, tocando seu mais novo hard rock, do mesmo jeito que seus heróis faziam na década de 70 e 80. E, com os seus grandes refrões e riffs, este é o trampolim perfeito para as crianças, as quais os ouvidos estão voltados apenas para os homens do heavy metal.  Assim como Dio era para ela, Lzzy Hale está se tornando a inspiração delas.

"Isso me deixa tão animada, de ver esses jovens se envolvendo com a música e tocando, porque eu lembro de estar neste lugar." Lzzy sorri. "Eu lembro de estar com 13, 14 anos, e saber que isso era tudo que eu queria fazer na vida. Me deixa feliz ver essa nova geração fazer isso. Então, eu adoraria ser essa porta de entrada! Porque tem algo sobre isso, cara... Quando você descobre a música, isso se torna uma parte da sua identidade e da sua personalidade, e quando você encontra, é tão eufórico, porque em toda sua vida, isso é uma missão. Isso vira algo seu, algo que você se orgulha. Então, ter esses jovens que também encontram isso neles? Me deixa muito feliz!"
O dia em que Lzzy Hale conheceu seu ídolo número 1, Ronnie James Dio!
MH: Como foi conhecer o Dio? Você bancou a 'fangirl'?
Lzzy: Nós tivemos o grande privilégio de apresentar 'Heaven & Hell' antes do Dio passar. Ele foi uma luz de uma pessoa. Eu estava um pouco nervosa porque na metade do nosso set, eu olhei para a sacada, neste clube em Atlantic City, e lá estava Geezer Butler e Dio assistindo!

MH: O que mais você lembra desse dia:
Lzzy: Depois disso, havia 20, 30 pessoas em volta do ônibus do Dio, e ele autográfou os pedaços de papéis de todo mundo, tirou fotos, Ele não teve que fazer muito esforço para se virar para mim, apontando com o dedo e ele disse, "Lzzy, finalmente. Você pode nunca mais se lembrar dos rostos de ninguém aqui, você não vai se lembrar do local ou a cidade onde você tocou, mas eles vão se lembrar de ter conhecido você pelo resto da vida deles, então faça isso certo, por cada um deles."

MH: Isso diz muito sobre o homem que ele era!
Lzzy: Foi tão incrível! Essa é a grande coisa com o Dio. E agora, sabendo disso, eu tenho uma nova apreciação pelo seus discos e seu talento!
 Corey Taylor, que também está presente nessa nova edição da Metal Hammer, com a sua banda Slipknot, deixou uma mensagem sobre o Halestorm para os leitores:
"Eu amo essa banda não só musicalmente, mas também como meus amigos. Eu tive sorte de vê-los ganhar o seu lugar ao longo do caminho, e eu estou tão orgulhoso deles! Lzzy tem uma das melhores vozes do hard rock, e não há absolutamente nada que ela não possa cantar. Eu mal posso esperar para ouvir seu novo material!"