Lzzy fala sobre o novo álbum e a turnê com The Pretty Reckless

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Após o anúncio da data de lançamento do seu novo álbum, intitulado "Into The Wild Life", o Halestorm anunciou sua turnê com a banda The Pretty Reckless no festival Carnival of Madness. A Loudwire teve a chance de conversar com a vocalista Lzzy Hale sobre essa nova turnê, o processo de gravação do novo álbum, o relacionamento entre os membros da banda e o produtor Jay Joyce, e mais.

Confira:
Loudwire: O Halestorm tem alguns shows chegando com o The Pretty Reckless. Lzzy, você está consciente do quanto vocês estarão encorajando as meninas jovens que estarão na plateia, vendo você e a Taylor no mesmo lugar?
Lzzy: Eu acho que é maravilhoso. É algo que eu venho querendo fazer a muito tempo. Na minha opinião, a Taylor tem isso. Ela é uma grande rockstar, e ela mostra isso no palco. É completamente verdadeiro, e eu não tenho visto isso a muitos anos, a não ser que uma mulher esteja fazendo. Eu só pensei - "Cara, não seria incrível se nós apenas fizéssemos isso juntas, e arrebentássemos?" - Eu estou tão feliz que finalmente estamos sendo capazes de fazer acontecer. Entre minha agenda e a dela, é uma loucura. Tentando achar um tempo. Perguntando: Ok, você pode fazer uma turnê? - meses atrás, só tendo certeza de que poderíamos fazer juntas, eu sei que estaremos inspirando várias garotas novas, o que é incrível, temos visto isso tanto nos últimos anos. Várias garotas vindo aos shows de rock e se identificando comigo ou a Taylor. Não são apenas elas que vão se inspirar, eu estarei do lado do palco o tempo todo quando a Taylor estiver se apresentando [risos]. Bancando a 'fangirl', vai ser uma ótima turnê.

Loudwire: O terceiro álbum de uma banda, é geralmente aquele que solidifica o seu estilo. Qual é a coisa mais importante em 'Into The Wild Life' que estabelece que o Halestorm talvez não tenha sido tão evidente nos dois primeiros álbuns?
Lzzy: Com esse álbum, nós praticamente jogamos tudo que nos fazia sentir confortável, seguro e normal pela janela. Os dois primeiros álbuns foram feitos de forma totalmente diferente da que estamos fazendo com este novo álbum. Com este novo disco nós queríamos realmente preencher a lacuna, por assim dizer. O que as pessoas veem em nossos shows, e o que elas escutam em todos os nossos álbuns. Nós voltamos ao começo. Voltamos com um novo produtor, uma nova cidade, uma nova mentalidade. Nós gravamos todas as faixas ao vivo, só nós quatro em um círculo nessa linda igreja em Nashville. O objetivo era capturar performances e momentos que nós quatro só conseguimos quando estamos no palco, ou de volta nos dias em que costumávamos ensaiar no porão da casa dos meus pais, [risos].

É tão incrível captar o tipo de energia que você e seus companheiros de banda sentem toda noite em cima do palco, e colocar em uma gravação. Nós fizemos o álbum com Jay Joyce em Nashville. Que cara maluco, cientista e impressionante ele é! Ele trouxe coisas pra fora do meu irmão que eu nunca tinha visto ele fazer em estúdio, nunca! Ele foi meio que o quinto membro da banda, que esteve lá do começo ao fim. Quando contei a ele sobre a ideia, eu disse: "Queremos estabelecer um padrão para esse álbum. Queremos que ele comece, e termine conosco". Ele foi o cara que teve a coragem de fazer isso conosco quando todo mundo ficou "Não, as pessoas não fazem mais isso". Foi maravilhoso, nós alcançamos o que propusemos no começo, e espero que todos gostem. Estou avisando vocês. Isso é o Halestorm. Com verrugas e tudo [risos]. Em todos os sentidos da palavra, tudo que nos fez escolher todos os aspectos da música que nos deixam animados, nós colocamos nesse álbum. Estamos animados para mostrar ao mundo!

Loudwire: 'Into The Wild Life' foi gravado mais da forma ao vivo do que a montagem típica das junções de partes fragmentadas. O que foi mais libertador sobre não ser tão puro e perfeito?
Lzzy: Honestamente, cantar e me apresentar de uma forma sábia para mim mesma. É um jogo mental para mim quando eu estou no palco. Para mim, é quase um estado mental de euforia. A forma como você se sente definitivamente afeta como você fica psicologicamente e como você se apresenta. Você pode estar tendo a melhor noite da sua vida, então se você sai do palco e vai para o estúdio, você fica pensando: "Oh meu Deus, será que vou conseguir alcançar essa nota? Isso vai sair perfeito? Eu vou estar no tom e no tempo certo?", você canta diferente. Talvez você não alcance essa nota porque você está pensando em todas essas coisas. Então foi muito libertador ir ao estúdio e fazer este álbum, não se preocupar em sermos perfeitos. Ter a mentalidade de: "Hey, vamos nos divertir e tocar algumas músicas que nós amamos, cometer alguns erros bons e realmente sermos humanos neste álbum. Isso tirou toda a insegurança que eu tinha por exemplo com os outros álbuns, em relação ao meu vocal.

Mas sim, é incrível. Não estou me desfazendo de nada que fizemos no passado, obviamente tivemos bastante sucesso com os últimos dois álbuns [risos]. Eu amo eles até a morte, mas eles foram muito baseados nessa questão de vamos deixar o mais perfeito possível. É tão libertador só andar no estúdio todos os dias, e... você deveria ver, Jackie, é lindo. É uma igreja reformada que o Jay Joyce comprou, e ele realmente teve que se tornar um 'padre' pra conseguir comprar [risos]. Então mesmo que ele não seja necessariamente um religioso fanático, ele poderia casar qualquer um se ele quisesse. A sala é cheia de qualquer instrumento que você possa imaginar. Tinha tantos dias em que eu apenas me sentava na frente do piano e começava a tocar, e nós acabamos gravando isso e colocando no álbum. Era um estado tão maravilhoso de ficar com os meninos. Nós estávamos nos divertindo e procurando tudo o que nos animava, e basicamente o produto final, Jackie, aconteceu que nós conseguimos produzir um disco. Nós fizemos um álbum! Não é baseado em singles ou EPs, nada disso. Nós só entramos, fizemos o que tínhamos que fazer, e o que saiu - como eu disse, para melhor ou para pior - Halestorm.

Loudwire: O que foi mais desafiador sobre fazer esse álbum e como isso te faz uma artista melhor?
Lzzy: É muito mais difícil fazer um álbum baseado em quatro pessoas em uma sala do que fazer tudo separadamente. Os dois últimos álbuns que fizemos, nós fizemos diferente. Nós o fizemos bastante montado, então nós íamos ao estúdio e era como, todas as partes da bateria estavam prontas em dois dias. Então Arejay tocaria a bateria, com o seu backing vocal pronto, em uma música quase pronta. Então no outro dia, nós começaríamos a parte das guitarras. Todas as minhas partes da guitarra em dois dias, e então as guitarras do Joe, depois a parte do baixo, e então eu começaria a cantar. Nós nunca estávamos na mesma sintonia, juntos, nunca tocamos uma música frente-a-frente juntos no estúdio. Então, para mim foi bem mais fácil fazer dessa forma. O objetivo não era nada mais que, "hey, vamos ter a certeza de que vamos conseguir alcançar essas notas". Nós tínhamos que confiar um no outro, olhar nos olhos um dos outros, e também, estávamos tentando criar uma performance; nós tocávamos a música, e se uma pessoa realmente estragasse sua parte, todos nós teríamos que fazer tudo de novo [risos].

Então, é assim que Zeppelin e vários outros dos nosso ídolos costumavam fazer, porque você precisa ser realmente bom para ir ao estúdio e fazer isso. Mesmo tendo toda essa tecnologia hoje em dia, nós podemos fazer tudo por conta própria, estabelecendo um padrão, e ter um pessoal, um engenheiro e nosso produtor Jay Joyce para nos ajudar. Toda vez que dizíamos "Nós podemos melhorar isso né?" ele dizia, "Não! Estabelecemos um padrão, e vamos segui-lo."

Foi desafiador como uma banda, mas realmente nos ajudou a crescer, porque logo quando eu pensei que nós quatro não poderíamos ficar mais tão íntimos, com todos esses anos em que estamos em turnê juntos, nós encontramos algo em nós novamente. Porque honestamente, Jackie, nós não somos tão virtuosos. Nós não nos formamos na faculdade, ou fomos para Berkeley. Aqui, somos só um, em uma banda que ainda sabe ler partituras. Mas tudo o que acontece com nós quatro é mágico e assumidamente Halestorm.

Loudwire: A rivalidade entre irmãos é comum em qualquer família. Como isso é que é colocado em um ambiente musical e como tem sido saudável para a melhoria da banda?
Lzzy: Você sabe, Arejay e eu sempre nos demos muito bem com isso. Estamos com o Halestorm desde que eu tinha 13 anos e ele tinha 10. Eu sinto que estamos em uma banda juntos por mais tempo do que temos, na verdade, sido apenas irmão e irmã. Eu sinto que neste momento ele sabe quando eu estou gritando com ele porque eu sou sua irmã mais velha ou quando estou gritando com ele porque ele é meu companheiro de banda. Eu acho que toda a honestidade de irmãos realmente ajudou.
Eu sei que ouvimos um monte de histórias sobre irmãos em uma banda ou apenas irmãs em uma banda e eu acho que por sermos de diferentes gêneros há realmente muito respeito.

Ele me respeita por causa do que eu posso trazer para a mesa. Eu o respeito porque, obviamente, ele é um lendário baterista. Nós sempre fomos muito próximos, mas eu sinto que o respeito que temos um pelo outro, assim como as pessoas, realmente nos ajuda. Você sabe que nós definitivamente brigamos de vez em quando, mas você não quebra a família, portanto, você não quebra a banda. É muito mais um no outro. O termo "você não caga onde come" - realmente eu acho que eu joguei isso fora há muito tempo. Você só tem que fazer as coisas funcionarem. O que eu realmente acho que além de qualquer coisa que poderia acontecer entre nós, o fato de que somos irmãos tem realmente influenciado o caminho para o resto da banda e nossa tripulação. A tal ponto que todos nós temos essa mentalidade familiar. Tal como o nosso tour manager é o Tio Mike. Todo mundo tem esse tipo de camaradagem.
Não é apenas como um trabalho para todos. Esta é uma família. Temos que fazer o trabalho todos os dias. Neste momento não há nenhum de nós que vive em um ônibus e tem de fazê-lo funcionar. Então tem sido realmente ótimo.

Loudwire: Halestorm começou a atrair os fãs de outros tipos de música, especialmente com a recentemente turnê com Eric Church. De que forma o recurso de crossover começou a trazer algum estilo drasticamente diferente no som da banda?
Lzzy: Você sabe, é engraçado. Os rumores foram voando por meses de que lançaremos um álbum country e nós definitivamente não faremos isso. Mesmo que nós iremos gravá-lo em Nashville, o que estou certa de que influencia muito as mentes das pessoas. Há um monte disso acontecendo. Mas o que eu vou dizer sobre gênero - eu honestamente - desafio qualquer público e nós abrimos para David Allan Coe e para o Megadeth. Então, o que diabos é Halestorm? Nós: A) não dizemos não a ninguém. Eric Church ligou - "você quer sair em turnê?" - Claro! B) Eu adoro isso, cara. Na verdade, estou na frente de um enorme caminhão do Eric Church com o rosto nele. Nós nos levantamos neste palco, nesta turnê country plenamente consciente de que nós somos uma banda de rock.

Bastam três canções, porque eu tenho certeza que nós parecemos Slayer para eles, mas todos são incríveis. Com toda a honestidade, a comunidade country aceita muito mais o rock and roll do que o rock aceita o country. Então, nós estamos cientes disso, mas é incrível, todo este acampamento, Eric Church e toda a sua banda, eles são todos metal heads. Falando em Slayer, eles tocaram 'Reign in Blood' entre algumas de suas canções. Eles são fãs do nosso gênero, que é a única razão pela qual estamos nessa turnê é por causa de sua atitude aventureira. O guitarrista do Eric Church tem nossos álbuns, introduziu Eric para nós e definitivamente abriu uma ideia totalmente nova de que não é realmente sobre se ouvimos country ou rock and roll, e sim sobre boa música. Essa tem sido a vibe de todo esse passeio e sim, seus fãs foram incríveis sobre isso. Apesar de eu ter sido acusada uma ou duas vezes de ter uma boca suja, mas você sabe. Isso vem com o território, eu sinto. [risos].