Total AC Blog: Entrevista com Lzzy Hale

O Halestorm irá realizar mais um show na próxima sexta-feira no House Of Blues em Atlantic City e o site Total AC Blog aproveitou a passagem da banda para conversar com Lzzy Hale sobre o show, a história da banda, sua personalidade e muito mais.

Confira a entrevista abaixo:

TAC: Você e seu irmão, Arejay, são músicos desde novinhos e lançaram seu primeiro EP juntos, quando ainda eram adolescentes. Você sempre soube que isso era algo que ficariam por um longo tempo juntos?
Lzzy Hale: Eu nem imaginava que nós iriamos chegar tão longe. Tornou-se uma obsessão. Desde a primeira vez que tocamos o nosso primeiro show fora da sala de estar da casa de nossos pais, nós ficamos como "Oh meu Deus, nós temos que fazer isso mais vezes!". Isso se tornou o que queríamos fazer das nossas vidas e hoje nós sentamos e pensamos "Você acredita que ainda estamos fazendo isso?! Olha onde nós chegamos!". É definitivamente louco de pensar porque não estabelecemos que seriamos músicos e que isso se tornaria nossa vida. Nós tocamos um show e eu imaginei como seria fazer isso no verão. Então, sem pensar, se tornou nossa identidade. Nós éramos uma banda que quando íamos conhecer pessoas novas, eu dizia "Eu sou a Lzzy Hale e estou em uma banda chamada Halestorm". Nós tivemos essa ideia e nos apaixonamos pela busca dela. Nós dizíamos "Se nós tocarmos nesse local, talvez o dono desse lugar vá falar com o dono daquele outro e nós vamos tocar nele, e eventualmente vamos sair da Pensilvânia e depois tocar fora da Costa Leste". Ainda é desse jeito. Nós ainda temos o mesmo animo que tínhamos quando crianças! O que você pensa que ainda vai acontecer?!

TAC: Como foi encontrar o Joe e o Josh?
Lzzy Hale: Joe respondeu a um anúncio no jornal. Você sabe... Mulher, branca, solteira, procurando por... Não! Estou brincando! Não era esse tipo de anúncio. Nós estávamos trabalhando na Filadélfia com um produtor local, o nome dele era David Ivory, e ele nos deixou usar seu estúdio. Nós estávamos gravando demos e escrevendo bastante músicas lá. Tínhamos guitarristas e baixistas entrando e saindo da banda desde que éramos adolescentes, mas era difícil achar jovens da nossa idade que eram tão obcecados como nós e tinham o apoio dos pais. As últimas pessoas que deixaram a banda estavam nela por seis meses e então eles disseram que seus pais não queriam que eles continuassem! Então nós tivemos um pouco de tempo livre trabalhando com esse produtor e ele disse que se colocássemos alguns anúncios, poderíamos usar seu estúdio como um lugar de audição, ao invés dos candidatos irem até a casa de nossos pais. Joe foi tipo a 50ª pessoa a aparecer, mas ele foi o único que foi honesto sobre sua idade. Muitos caras mais velhos vinham e mandavam uma foto de quando eles tinham 20 anos, mas isso foi em 1982! O cabelo deles eram longos, mas tinham a idade do meu pai. Eu pensei "Bom, nós talvez tenhamos que colocar meu pai de volta na banda!". Então Joe apareceu e ele até chegou atrasado, porque meu pai deu o endereço errado do estúdio, mas ele achou o caminho. Enfim, a coisa mais legal sobre o Joe é que ele foi a única pessoa que fez a audição e não tocou só um solo. Ele escreveu algumas partes para as nossas músicas que estávamos o ensinando e era isso que queríamos. Nós queríamos alguém que poderia realmente colaborar. Ele provavelmente vai me matar por contar isso, mas ele não imaginava que passaria na audição. Nosso produtor correu e deu a ele o endereço da casa dos meus pais, então nós poderíamos tocar alguns shows e ver como as coisas iriam. O resto é história! Faz 10 anos que o Joe está conosco!

Josh veio depois do Joe. Nós estávamos procurando por alguém que sabia tocar baixo na Filadélfia. Nós basicamente o roubamos da banda que ele estava tocando! Falamos pra ele que precisávamos de um baixista temporário. Encontramos ele e ficamos amigos. Depois de alguns meses, ele disse "Eu vou ter que ligar para o meu melhor amigo na banda que eu estava e dizer para ele que eu me demito porque eu amo isso demais!". Nós o enganamos e funcionou! Ele também está conosco há 10 anos. É incrível estar cercada por pessoas que você teve história e ser capaz de vivenciar todas essas coisas novas. É realmente louco!

TAC: Como é ser a garota entre os caras? Você já sentiu que precisava de um "momento de garota" ou você gosta de ficar entre eles?
Lzzy Hale: Eu gosto! Excesso de estrogênio faz com que seja um pouco estranho! Eu passo tanto tempo com os meninos que eu literalmente me torno uma pessoa doida quando tem muitas garotas. Nós não estamos muito acostumados a fazer uma turnê com muitas garotas. A última turnê que eu fiz que foi consistentemente com outra garota, foi no Carnival of Madness ano passado com a Amy Lee. Nos primeiros minutos de encontro, o assunto foi sapatos, meninos, maquiagem, todas essas coisas saindo de mim e eu nunca converso sobre isso! Os meninos na minha banda falavam "Você se torna uma pessoa diferente quando a Amy está por perto!". Eu gosto de ser uma garota. Eu gosto de estar com meus meninos. Eles têm uma boa higiene (risos) e em boa parte do tempo, eles gostam de fazer a mesma coisa que eu faço! Eu penso que isso vem de termos crescido juntos. Nunca achei ser uma garota uma coisa ruim. É legal torturar todos os meninos que estão em turnê, porque você pode usar salto alto e eles não! É bem divertido!

TAC: Você é um modelo para muitas fãs mulheres. Como você se sente? Isso te assusta ou você gosta?
Lzzy Hale: Sempre erro no lado da honestidade. Eu tenho certeza de que vou falar algo estúpido no twitter ou algo do tipo, se eu já não tiver falado. De qualquer maneira, se é uma má influência ou uma boa influência, eu não vou fingir ser algo que não sou. É muito trabalho manter uma falsa aparência. As pessoas meio que se apegaram a mim, porque eu represento algo para elas e me sinto lisonjeada. No início me assustou um pouco ao ponto de eu pensar "Eu devo falar isso?". Acho que a diferença entre o primeiro álbum e o segundo é a batalha que estava em minha mente. O primeiro foi super limpo e um pouco vago. Era eu tentando descobrir se eu deveria dizer, o que eu queria ou se eu iria receber cartas raivosas dos meus pais. Esse último álbum que gravamos, The Strange Case Of, por falta de um termo melhor, apenas disse foda-se e escrevi o que eu queria escrever. Acho que as pessoas gravitam mais em direção à honestidade ao invés de se você está tentando ser essa pessoa extremamente limpa. Esperançosamente, eu não assusto muitas pessoas! É realmente lisonjeador porque nós vemos muitas garotas vindo ao nosso show querendo começar uma banda, começar a tocar guitarra e escrever músicas. É realmente legal de se ver. Eu não tive muito disso quando eu estava crescendo e essa é parte da razão porque todas as pessoas na minha banda são homens. É realmente legal subir no palco e ver todas essas garotas. Eu estou orgulhosa.

TAC: Algo que as pessoas iriam se surpreender ao saber sobre você?
Lzzy Hale: Eu sinto que nós vamos continuar a descobrir até mesmo para mim! Eu me surpreendo muitas vezes. Não é muito Rock and Roll, mas eu gosto de costurar. Eu faço boa parte das minhas jóias, então é isso. Quanto aos hábitos estranhos, um dos meus cafés da manhã favoritos é abacate amassado com bananas. As pessoas pensam que é nojento, mas eu realmente gosto!

TAC: As músicas do seu primeiro álbum para o segundo se tornaram mais íntimas. Qual é a diferença no processo de escrita?
Lzzy Hale: Nós não tivemos muito tempo para colocar tudo junto, então várias músicas foram escritas enquanto estávamos no estúdio. Nós tínhamos apenas algumas canções antes de entrar em estúdio, como "Love Bites" e "American Boys". Todo o resto foi uma espécie de criação. Novamente, este [álbum] foi pouco pensado, talvez porque nós não tivemos muito tempo para pensar sobre isso. No primeiro álbum nós pensávamos em muitas coisas como, será que isso vai funcionar na rádio? É muito longo para a rádio? Será que eles vão gostar do título? Será que o cara do A&R vai gostar disso? Então, neste disco nós basicamente pensamos "Ok, isso está bom ou não está?". Acho que nós estávamos muito obcecados no primeiro álbum para fazer com que isso fosse um tema. Nós tínhamos um tema antes de juntar as músicas, onde existia uma balada tocada em piano, outra música na qual eu gritava muito, e tínhamos uma música muito intima que eu tenho certeza que minha mãe ia adorar. Várias coisas estavam acontecendo, mas nós adorávamos tudo isso. Tivemos que achar uma forma de colocar tudo isso de um jeito que nós amamos. É por isso que existe uma mistura elétrica. É uma espécie de libertação ter apenas essa pergunta em sua mente.

TAC: Você sente que tudo isso mudou a direção da sua carreira de alguma forma?
Lzzy Hale: Eu acho que muita coisa mudou muito rápido, mas como estávamos falando antes, estamos na banda há 10 anos. Se você der dois passos para trás ou um passo para frente, você ainda está seguindo adiante. Este tem sido o maior passo à frente que já fizemos, considerando o Grammy e a turnê que estamos fazendo. Até o final deste ano, teremos feito mais de 300 shows. É o ano mais movimentado que já tivemos. Eu espero que possamos continuar seguindo adiante nessa direção. Esperamos que o próximo álbum seja tudo o que queremos que ele seja.

TAC: Você e o resto da banda parecem se divertir muito fora do palco, como vocês também fazem em cima do palco. O que você vai fazer no seu tempo livre fora do palco quando estiver aqui em Atlantic City?
Lzzy Hale: É sempre um momento louco, porque eu sou de Pensilvânia, então eu sei tudo sobre Jersey! Esta é a primeira vez que estamos chegando tão perto daqui, e provavelmente iremos visitar nossos familiares. Estou muito animada porque este é um dos shows que eu vou tocar com um dos meus ídolos. Temos Tom Keifer do Cinderella com a gente. Vai ser um momento muito emocionante para mim, porque eu vou estar tentando não bancar uma fangirl. Durante o nosso tempo livre, eu tenho certeza que os meninos irão querer tomar um monte de cerveja, porque isso é um tipo de ritual, e se divertir com várias pessoas que nós não vemos a muito tempo. Não somente a família, mas vários amigos que nós não vemos há muito tempo. Toda vez que nós passamos por aqui, eu sempre conheço alguém que nos abriu as portas, alguém que estava em alguma banda que abriu shows para a gente, ou alguém que fazia parte de uma rádio que naquela época tocava nossas músicas. É sempre maravilhoso voltar aqui.

TAC: Você parece ser muito disciplinada quando está na estrada. Você segue uma dieta específica, treinos, exercícios para aquecimento vocal. Como você descobriu que tudo isso te ajuda a ter um melhor desempenho?
Lzzy Hale: Recentemente este ano, eu finalmente percebi isso! Eu comecei a fazer isso sem necessidade, apenas porque a nossa agenda estava muito cheia. Me lembro de 2006, quando nós não tínhamos responsabilidades, mas tínhamos que tocar um set de 20 minutos na frente de quatro bandas. Toda noite nós tomávamos tequila e não importava porque nós não tínhamos nada para fazer no outro dia. Agora meus dias são como, eu acordo, dou várias entrevistas, então eu tenho que ir para a checagem de som, e depois tem meet&greet, e provavelmente um show acústico para uma estação, e então eu faço o show, e depois mais um meet&greet depois do show.  Eu tenho pouco tempo para ter um bom sono. Eu percebi que meu desempenho é muito melhor quando eu cuido de mim mesma. Talvez não importasse se eu não tivesse todas essas coisas que eu preciso fazer, mas eu tento levar isso como um distintivo de honra. Eu finalmente estou em um ponto onde eu tenho que prestar atenção nessas coisas. Não como um homem, os meninos se divertem muito mais do que eu!  Você tem que olhar para isso como, bem, eu fiz isso em um ponto onde eu sou bem sucedida o bastante para ter que ser responsável.

TAC: E claro, a pergunta obvia: O que os seus fãs podem esperar do seu show no House Of Blues na próxima semana?
Lzzy Hale: Vai ser uma explosão.  Estamos prestes a lançar outro EP de covers, então provavelmente nós vamos tocar alguns covers e nos divertir. Tenho certeza que qualquer um que ver o show vai perceber que nós ficamos tentando mexer um com o outro no palco. Os meninos sempre tentam me fazer rir quando eu estou cantando, nós sempre nos divertimos. Nós apenas ligamos os instrumentos e tocamos. Não tem truque, nós nos divertimos de qualquer forma. Provavelmente haverá muitas surpresas para nós também, porque se você já teve a chance de ver ou encontrar meu irmão, ele é um baterista muito imprevisível, então provavelmente teremos algumas surpresas do nosso próprio no palco!